Os Benefícios da Meditação - matéria da Revista Revide
Data: 08/08/2014 - Fonte: Revista Revide: www.revide.com.br
Auxiliando o indivíduo a se concentrar no momento presente, a prática milenar da meditação proporciona benefícios para o corpo e para a mente.

No livro Educação dos Sentidos, escrito pelo psicanalista e pedagogo Rubem Alves, há um trecho que diz: “É do silêncio que nasce o ouvir. Só posso ouvir as palavras se meus ruídos interiores forem silenciados. Quem fala muito não ouve. Só posso ouvir a verdade do outro se eu parar de tagarelar. Sabem disso os poetas, esses seres de fala mínima”. Sendo assim, o silêncio é uma das características fundamentais para que o indivíduo possa se concentrar e ouvir os seus pensamentos. É através dele, também, que as pessoas conseguem evoluir na prática da meditação: escutam a alma, aliviam o peso do corpo e da mente e entram em conexão com sua essência.

Para a professora de meditação e yoga Lais Moreira, no início, pode ser muito difícil fazer a mente silenciar. Muitas vezes, ocorre o oposto, pois a meditação é um grande processo de limpeza dos padrões subconscientes. “Com muita prática, a mente fica mais limpa e aprende a estar sob o nosso controle, Então, podemos dizer a ela: ‘agora vou meditar, fique quieta’, e, assim, experimentar a paz e a quietude do silêncio interior”, afirma a professora.

Ao ouvir a palavra meditação — uma prática milenar em que o praticante deve limpar a mente dos diversos pensamentos que a povoam, auxiliando o indivíduo a se concentrar no momento presente —, automaticamente, pensamos em uma pessoa sentada em almofadas aconchegantes, serena, com os olhos fechados e as mãos sobre os joelhos. Porém, a mente é um instrumento muito sutil e não obedece ao tempo e ao espaço. “Meditar é um processo de treinar a mente para que ela esteja a serviço de sua alma e em conexão com seu destino. De forma mais prática, meditamos para ter a mente tão clara que podemos enxergar os resultados de nossas ações, antes de decidir por elas, tomando decisões com consciência e responsabilidade”, explica Lais.

A jornalista Fabiana Marques Cáceres sempre foi muito ansiosa e procurava melhorar essa postura. Uma amiga começou a meditar e, ao ver como a vida dela havia melhorado, Fabiana resolveu experimentar. As tentativas começaram em 2011, mas somente no final de 2012 Fabiana conseguiu, de fato, meditar. “A primeira tentativa foi até engraçada porque eu não consegui de jeito nenhum. Acabei ficando ainda mais ansiosa e irritada por não ter sucesso, mas, após muita prática consegui. Fui a um retiro, em um local chamado Parque Visão Futuro, onde ensinam várias técnicas de relaxamento para facilitar a meditação. O lugar é lindo, rodeado de árvores e flores, o que ajudou a entrar no clima. Então, em um determinado momento do retiro, percebi que finalmente tinha atingido meu objetivo. É difícil de explicar, mas é uma sensação única. A mente se acalma e você se conecta com o seu corpo e esquece tudo que está ao seu redor”, define a jornalista.

A empresária Giovana Gonçalves Vinha conhece a meditação há quatro anos, mas pratica regularmente há oito meses. “Decidi me empenhar nessa prática para encontrar meu equilíbrio interno, ficando mais consciente do meu corpo, das minhas emoções, dos meus pensamentos, aprendendo a viver no presente e, assim, apreciar a vida que tenho”, confessa. Giovana lembra que a primeira experiência com a meditação foi em uma viagem para o sul do Chile, em uma reserva ecológica chamada Condor Blanco. Lá, sem as distrações da cidade e com o apoio de instrutores, a empresária encontrou o silêncio interno profundo e uma paz jamais conhecida antes. A empresária relata que os incômodos iniciais são da postura física — ficar com as pernas cruzadas e coluna ereta —, mas, principalmente, da mente, que não para de pensar. Esse desconforto fez com que, no começo, tivesse vontade de fugir daquele espaço.

Em meados dos anos 70, a prática da meditação começou a conquistar os ocidentais. “De fato, a meditação começou a conquistar os brasileiros há 10 anos, mas ainda há um enorme caminho a ser percorrido. Poucas pessoas têm a meditação como um hábito diário em suas vidas. Meu mestre, Yogi Bhajan, costumava dizer que assim como temos necessidade de tomar banho todos os dias para limpar o corpo, deveríamos ter a mesma necessidade de meditar, diariamente, para limpar a mente”, conta Giovana.

Fernando De Lazzari ensina meditação e Tai Chi Chuan — que também é uma prática de meditação em movimento — há mais de 15 anos. O professor lembra que começou a ensinar a meditação porque sentiu em seu coração a vontade de compartilhar os ensinamentos e as práticas que o ajudaram a ter uma vida mais saudável, tranquila e equilibrada. “Meditar é estar com a mente presente, calma e consciente do que se passa interiormente, sem se distrair com os estímulos do mundo exterior. Sempre quando a pessoa senta, fecha os olhos e se concentra na respiração com a intenção de acalmar e relaxar a mente, ela está meditando e obterá algum benefício”, garante Fernando.

Segundo o professor, as pessoas estão mais conscientes de que a verdadeira felicidade e a paz interior só podem ser encontradas dentro de cada um. Essa consciência maior leva as pessoas a buscarem dentro de si mesmas o que realmente é verdadeiro e tem mais valor. “Todos nós queremos ser felizes, mas só alcançaremos a verdadeira felicidade e a paz interior quando estivermos bem com nós mesmos, quando encontrarmos o nosso propósito de vida, quando nos conhecermos melhor. Isso pode ser alcançado através da meditação, do silêncio interior”, comenta.

A procura pela meditação é tamanha que a prática é usada por alguns médicos como um recurso terapêutico na medicina convencional. Pesquisas revelam que a meditação tem se firmado e já é indicada para um leque amplo de enfermidades. Um dos maiores pesquisadores da meditação, o cardiologista Herbert Benson, da Universidade Harvard, estimou em seu livro, “Medicina Espiritual”, que 60% das consultas médicas poderiam ser evitadas se as pessoas apenas usassem a mente para combater as tensões causadoras de complicações físicas. Entretanto, vale ressaltar que a meditação não anula as prescrições médicas. Para alguns profissionais, elas se complementam.

Lais frisa que, atualmente, as pessoas sabem por experiência ou por conhecimento de pesquisas médicas o quanto a mente influencia o corpo e que males como o estresse, por exemplo, pode levar a doenças físicas. “A meditação atua principalmente como um preventivo, como uma nova forma de olhar as situações da vida, que sejam boas ou más sob o nosso julgamento, de uma forma mais leve e, ao mesmo tempo, mais efetiva, o que leva a menos desequilíbrios em nossa fisiologia”, pontua.

Existe um leque de modalidades para quem deseja meditar, mas a receita básica é a mesma para todos: concentração. Vale o contato com a natureza, ficar em silêncio, concentrar-se na respiração, num som ou num mantra. Esse ponto focal, chamado de Dharana, é o ponto de partida da meditação. Essas técnicas existem para facilitar os caminhos ao encontro do momento presente. Entretanto, cabe a cada um perceber qual o trajeto mais simples para entrar em contato com o seu interior. Por isso, aprender diferentes técnicas é importante para reconhecer qual deles melhor se adapta ao momento.

Uma vez familiarizado com a meditação, muitas pessoas questionam como saber se realmente meditaram. A resposta é simples, pois não existe avaliação. Só o praticante pode dizer o que sentiu e se foi bom. De acordo com o professor Fernando, existem vários níveis de meditação, em que a mente pode atingir elevados níveis de consciência, mas apenas o fato de sentar, relaxar e prestar atenção no momento presente, já é um estado meditativo muito produtivo para ajudar na melhoria da saúde e da qualidade de vida do indivíduo.

A meditação repercute o que está fora, o que a pessoa entrega para o seu meio de convivência. De acordo com pesquisa publicada na revista científica “International Journal of Psychophysiology”, feita com 50 estudantes universitários americanos, a prática da meditação reduz sensivelmente o estresse e a ansiedade. Enfim, muitas pesquisas sobre a meditação já foram realizadas em universidades renomadas e todas comprovam os enormes benefícios da prática para ajudar na melhora da saúde das pessoas e na conquista de uma qualidade de vida melhor. “Essas pesquisas mostram que a prática regular da meditação ajuda a curar e prevenir muitos problemas de saúde, principalmente a ansiedade, o estresse, a agitação mental, a insônia, entre outros”, revela Fernando.

Fabiana ressalta que não é preciso muito tempo dedicado à meditação. Para ela, apenas 15 minutos já fazem uma diferença enorme. “Com a meditação, fiquei menos ansiosa. Parece bobagem, mas a forma como respiramos influencia demais no comportamento e no nível de estresse. Quem é ansioso faz respiração torácica. Com a meditação, aprendi a respirar pelo abdômen. Agora, a qualquer sinal de ansiedade, paro e presto atenção se estou respirando corretamente. Assim, acalmo na hora”, explica a jornalista. Fabiana está grávida de 37 semanas e frisa que a meditação tem a deixado menos ansiosa nesta fase.

Crianças, jovens e adultos podem meditar e, através dessa prática, melhorar a relação consigo e com os outros através do autoconhecimento. “As crianças meditam lindamente. É muito bom vê-las nesta atividade. Os jovens e adultos, em fase produtiva, devem fazê-la para encontrar um momento para conexão interna, reorganização e relaxamento interior. Os idosos devem praticá-la para estar cada vez mais perto do seu espírito. Se a meditação se torna um hábito e a pessoa sente os seus benefícios, ela vai sentir sempre a necessidade de praticar”, garante Laís.

Com a prática, é possível que a mente se aquiete. Mesmo assim, cada dia será único e dependerá do estado de espírito do praticante. “Através da meditação, pouco a pouco conseguimos nos desligar dos pensamentos e não nos distrairemos com eles. Conseguiremos cultivar um estado profundo de tranquilidade e paz interior”, salienta Fernando.

Laís explica que os mestres conseguem meditar em qualquer lugar, mas ter um local determinado ajuda bastante a aperfeiçoar as técnicas. Um canto, na medida do possível reservado, sem barulhos e com menos interferência é o ideal. “A mente gosta de padrões. Se você tem esse lugar — que pode ser só o tapetinho de yoga —, e se senta ali, ela já está preparada para meditar”, pontua. A indicação é que o assento não seja nem tão duro nem tão macio e que a temperatura esteja amena. A coluna tem que estar ereta. Por isso, se não for possível se manter assim no chão, a sugestão é meditar em uma cadeira.

Fernando acrescenta que a prática é um caminho de autoconhecimento, que ajuda a cultivar valores espirituais e auxilia os praticantes a terem mais discernimento e a lidar com os problemas de uma maneira mais tranquila e consciente. “Existe um ditado tibetano que diz: ‘se o problema tem solução, não se preocupe; se o problema não tem solução, não se preocupe também’. Enfim, obter mais equilíbrio mental e emocional é algo que deve ser cultivado. Devemos treinar para conseguir isso, lembrando que essa conquista não vem apenas de um conhecimento intelectual. Temos que praticar e mudar a nossa mente e a nossa consciência, gradativamente”, aconselha o professor.







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